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16.3.03

Puro HORROR


Circula no ciberespaço um filme horripilante: a empalação de um ser-humano.
Se, porventura, não sabe o que é "empalação", e para ficar com uma ideia, veja a descrição (nº 8) e gravura da época em http://www.geocities.com/adtenebras/compendio.htm. Neste excelente "compêndio" de métodos de tortura e execução medievais, poderá ver ainda outros instrumentos inquisitoriais. Talvez assim decida com mais certeza se deverá abrir o ficheiro ou não.
Se é uma pessoa impressionável, ou se não se considera uma pessoa excepcionalmente fria, NÃO VEJA O FILME. A decisão de abrir o ficheiro e ver a gravação é integralmente sua. Isto contém apenas IMAGENS REAIS.
Se, depois de ler isto e de ver a descrição no Compêndio de Instrumentos de Tortura e Execução", no link acima, e estiver realmente na disposição de ver o filme, click aqui. Quando o ficheiro carregar (mais de 2 Mb, leva algum tempo) e o filme começar, é conveniente saber como parar a visualização a qualquer momento: use as teclas alt+F4 ou click no "X" do seu leitor de vídeo.
De qualquer forma, repetindo,

É ABSOLUTAMENTE DESACONSELHÁVEL A VISUALIZAÇÃO DESTE FILME
.
Depois não diga que ninguém avisou.


17:10


'Allons bouffons'


Os comensais nas mesas próximas me olharam ao mesmo tempo. Pensei que tivesse cometido alguma gaffe no restaurante italiano. Logo me dei conta de que tinha respondido cabernet, quando o garçon me ofereceu um copo de vinho. Tinha dito a palavra com o sotaque francês e não o habitual quebarnei, como pronunciam os nova-iorquinos. Moro num bairro liberal e progressista de Manhattan. Felizmente não fui submetida a nenhuma cantilena jingoísta.
Nunca pensei que chegaríamos a um momento em que os franceses se sentiriam intimidados em Nova Iorque. E com cumplicidade e estímulo da media, não apenas dos tablóides e comentaristas empregados de Rupert Murdoch. As piadas sobre os franceses eram inevitáveis. Afinal, mesmo os mais convictos pacifistas não conseguem levar Dominique de Villepin a sério. E não é preciso sofisticação para farejar o populismo ridículo dos congressistas que pedem para trocar french fries por freedom fries. A demagogia é poliglota e transnacional.
O tenista John McEnroe substituiu recentemente David Letterman, no talk show nocturno. Um dos convidados era Eric Ripert, o chef do Le Bernadin, invariavelmente considerado um dos cinco melhores restaurantes de Nova Iorque. Ao anunciar o nome do convidado, McEnroe completou: «Nós não gostamos de franceses aqui.» Ripert, sempre cavalheiro, sobreviveu à grosseria do anfitrião e pagou em moeda forte, ao respingar molho de camarão no terno de McEnroe.
Há um sentimento antieuropeu intenso no momento, por causa da oposição à guerra e do activismo no Conselho de Segurança. Mas não se encontra donos de restaurantes a despejar garrafas de vodca russa e cerveja alemã na privada. Já os vinhos e champanhes franceses, para efeito de propaganda, foram, às dezenas de litros, fazer companhia à rede de esgotos da cidade.
O historiador Timothy Garton Ash recomenda um estudo sobre o aspecto sexual dos estereótipos antieuropeus nos Estados Unidos. Cowboys potentes contra pacifistas impotentes diante dos males do mundo. «Eu-nucos» é a grafia em voga da palavra.
O sentimento é mútuo e os americanos não são ajudados por um Presidente que comete pérolas como a seguinte: «O problema com os franceses é que eles não têm uma palavra para entrepreneur.»
Um especialista em política externa americana coloca o início do ressentimento entre os dois países no começo do séc. XIX, quando os franceses, depois de apoiar a independência americana, viram-se abandonados pelo aliado na hora de enfrentar a Grã-Bretanha. Para piorar, lembra Walter Russel Mead, a «doutrina Monroe» de 1823 alinhou ingleses e americanos e baniu qualquer poder europeu nas Américas.
Quando um comerciante devolve seus stocks de camembert, dificilmente está articulando o desprezo de comentaristas como Fred Barnes, da Weekly Standard, que, na lista de favores passados, inclui «nós ocupámos o lugar dos franceses no Vietname». O surto de hostilidade anti-França parece acomodar a mesma mentalidade pós-11 de Setembro, que despreza a informação pela unanimidade defensiva.
Mas, quando a guerra começar, duvido que os franceses se sintam mais inseguros do que os menos afluentes imigrantes chamados Mohammed ou Ahmed.

Lúcia Guimarães, DN 16.03.03
original


14:59



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