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14.2.03

O postalzinho



Sent: Monday, December 02, 2002 9:03 PM
Subject: o postalzinho


Caro Senhor Doutor,

É com imenso prazer que leio a sua crónica semanal, e já tomei mesmo a liberdade de utilizar - transcrevendo e de forma perfeitamente identificada - material seu no Sítio de Timor e no respectivo blogger.

No entanto, o seu último texto Os enganos do debate laboral recordou-me algo que nunca vi referido em lado algum: o postalito. Ou, dito de outra forma, como empregar administrativamente uma pessoa. Trata-se de certo detalhe técnico, suponho que invenção exclusivamente nacional, e de cuja análise poderá resultar alguma compreensão sobre o extraordinário fenómeno português do "quase pleno emprego".

A coisa "funciona" de modo subtil: qualquer cidadão nacional que fique sem emprego, diz a Lei, dever-se-á dirigir ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP, mais conhecido por instituto do desemprego) e preencher uma ficha; feito isto, em jargão técnico local diz-se que "é aberto um processo", ou seja, aquele cidadão passará a constar das estatísticas como "desempregado". Sucede porém, e este é que é o brilhantismo do processo, que o "desempregado" apenas o será enquanto receber, preencher e devolver - dentro do prazo, e de três em três meses - um postal que lhe é enviado. Repito: um "desempregado, em Portugal, apenas o é não por o ser mas por cumprir rigorosamente uma norma burocrática, por um lado, e se nada falhar no processo sistemática e periodicamente reiterado, por outro lado.

Ou seja, o desemprego não é uma situação pessoal de facto; é uma situação transitória sujeita a inúmeros factores arbitrários e contingentes: técnica e estatisticamente, o "desempregado" deixa de o ser se:

- o destinatário não devolver o postal trimestral dentro do prazo
- o postal devolvido contiver elementos que não confiram com o "processo"
- o postal se extraviar no circuito postal entre o IEFP e o "desempregado"
- o postal se extraviar no circuito postal entre o "desempregado" e o IEFP
- o destinatário não souber ler
- o destinatário não souber escrever
- o postal não tiver sido emitido pelo IEFP
- o postal se extraviar por outros motivos
- o postal for recebido pelo IEFP fora de prazo

Ou seja, e peço desculpa se o arrazoado não tiver sido muito claro até aqui: um "desempregado" deixa de o ser, e, por conseguinte, passa automaticamente à condição de "empregado", por milhares de motivos possíveis que não têm, nenhum deles, absolutamente nada a ver com o facto de ter "arranjado emprego"; um "desempregado" em Portugal é uma pessoa cheia de sorte, porque o seu postal trimestral não é apanhado pela chuva e portanto não tem peso a mais (porque, se isso acontecer, é devolvido e o prazo expira), porque os Correios não fazem greve, porque o carteiro não se enganou na caixa, porque o próprio não saiu de casa, porque a assinatura confere, porque ninguém se entreteve a riscar o postalito ou, em última análise, porque os funcionários do IEFP, em particular, ou da Função Pública, em geral, não fizeram greve entretanto, ou ainda porque não foi internado, porque não partiu uma perna ou teve uma simples crise biliar. Eu sei que é difícil entender, isto, mas - como agora se diz até à náusea, é assim: se o "desempregado" partir a tal perna, ou for internado, ou estiver de férias, ou se o carteiro estiver bêbedo e se enganar na caixa do correio, ou se cair um raio no marco, se, em resumo, não devolver o postalito correctamente preenchido, e absolutamente dentro do prazo, bem, repito, o "desempregado" está automática, presumida e putativamente empregado. Se alguma dessas inúmeras hipóteses se verificar e o cidadão "continuar"... desempregado, terá de se deslocar de novo ao Centro de Desemprego, tirar uma senha, aguardar a sua vez, preencher outra ficha; reabre-se um novo "processo". E assim sucessivamente, indefinidamente, até o "desempregado" desistir", ficar farto de enviar o postalito. Mais um "empregado", mais um ligeiro movimento da vírgula.

Ou seja: de três em três meses, o número de desempregados em Portugal decresce, implacavelmente. Que grande alegria, pois. É facílimo, genial, este processo. Não se criam empregos, todos os dias fecham empresas, mas - estatisticamente - apresentamos uma excelente performance neste particular. Muito menos do que a Espanha e muito abaixo da média europeia. Não é excelente? E tudo por causa desta ideia iluminada e luminosa do postalito, postulado e paradigma nacional: um empregado não é alguém que tem um emprego, necessariamente; um desempregado não é alguém que não tem um emprego; entre um e outro, a diferença é uma simples operação burocrática.

Enfim, as minhas desculpas se o macei com esta "insignificante" coisa.

Cumprimentos.
Fulano de Tal

Muito obrigado pela sua mensagem e pelas palavras amigas. Fico honrado e orgulhoso por ter incluído trabalhos meus no "Sítio de Timor".
De facto, o IEFP é uma das piores nódoas do nosso sistema (e não falou nos milhões que se gastam para ele fingir que processa postais).
Deixe, no entanto que lhe diga que, felizmente, não é o IEFP que trata das estatísticas nacionais do desemprego, mas o INE, o qual usa métodos bastante mais rigorosos.
No entanto, no que toca aos esforços públicos para encontrar empregos para o desempregado, tem toda a razão. Se o desempregado confiava no IEFP para lhe encontrar trabalho, está dependente do tal postal.
Agradecendo mais uma vez a sua amabilidade sou, respeitosamente
Sicrano da Silva

03:43

PERU COM WHISKY

Ingredientes:

1 Garrafa de Whisky (CUTTY SARK)
1 peru de aproximadamente 5 kg
sal a gosto
pimenta a gosto
350 ml de azeite
500 gr de bacon em fatias


Modo de preparar:

Envolver o peru no bacon e temperá-lo com sal e pimenta. Massajá-lo com azeite. Pré aquecer o forno durante aproximadamente 10 minutos. Servir-se de uma dose bem aviada de whisky enquanto espera. Colocar o peru numa assadeira. Sirva-se de mais umas doses de whisky

Axustar o terbostato na marca 3 e, debois de uns 20 binutos mudar para assassinar, digo assar a ave. Derrubar uma dose de uichhhhquey (pela goela abaixo, é claro). Debois de beia hora, avrir a berda da borta e gontrolar a assadura do pato. Begar a garrava de vuissssc e emborcar outra dose. Depois de beia hora, cambalear até o vorno, abrir a porra da borta e enfiá-la no peru, digo virar a ave ao gondrário. Queimar a mão ao vechar a porra do vorno e dizer um balavrão do caraio. Tentar zentar na gadeira.

Servir-se de uoooootra dose boua de uisssgue. Cozer?, gosturar?, gozinhar?, sei lá, fodazze, dando fazz, o beru. Deixar o filho da buta no vorno por umas 4 horas. Tentar retirar a berda do beru. Mandar mais umas doses de vvuiiiisscc para dentro (da goela, claro).

Dendar dovamente dirar o sacana do beru do vorno, porque na primeira dendadiva dãããoooo deeeeuuuu. Pegar o beru que gaiu, e enxugar o fillo da buta com o bano de lavar u jão e gologa-lo numa pandeja ou em qualquer outra borra, bois avinal, você nem gosssssssssssta muito dezza bosta.

E bronto, já dddá!
_____________________

Pedro Cardoso
alves.cardoso@iol.pt


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